28 maio 2010
Transpirenaica
28 abril 2010
Caminho S.Salvador e Primitivo
Em ano Xacobeo, juntei cinco caminhos num só que me levasse a absorver os legados passados e presentes, a emergir em cenários naturais e olhar vestígios monumentais que se acomodam no corpo e alma para os poder viver e recordar num encontro com a eternidade.
Começava aqui o Caminho Primitivo, um itinerário montanhoso considerado uma das rotas mais duras de todas aquelas que se denominam Caminho de Santiago na Península Ibérica.
O Caminho de Santiago não tem um ponto de partida e por isso pode-se começar de qualquer lugar.
A etapa de hoje é curta, mas é bela; a paisagem tem vida, mas não tem voz; a terra é espanhola, mas pertence-me porque a sei olhar.
A nota dominante deste percurso são os estradões rolantes (quando a gravidade é amiga) e os cumes nevados de Castilha-Leon no horizonte. O mesmo horizonte onde vou estar amanhã.
De manhã, após as palavras de incentivo com buen camiño em direcção a Santiago, todos seguem a seta amarela. Eu trilho o mesmo caminho que eles fizeram ontem.
Esta etapa é “filha” da Via de La Plata e as suas aldeias e vilas devem ser “irmãs” porque têm todas o sobrenome de TERA, o grande rio que fertiliza os seus campos e dá movimento à serenidade das planícies.
Já conhecia as longas extensões de alcatrão que me esperavam e apesar de desejar muitas vezes vento na face e pés nos pedais, qualquer betetista prefere senti-lo pelas costas.
Há muita música e muita bebida nas ruas de Benavente. Só os bares estão abertos, mesmo assim, decido não ficar. O albergue não tem cama e também não é preciso. Sem água para tomar banho e sem comida, como posso ter sucesso na festa?!!!
13Abr10 Villabrázaro-Leon 96 kms
(Voltando ao dia anterior em Villabrázaro)
- Aqui não há nada. O bar fecha às 18h00 e eu quero ir para a festa, diz a senhora.
“Se eu a visse lá, vinha-me embora. IRRA, que camafeu”, pensei.
- Helloooo!!! Sou peregrino e tenho fome. Vais festejar mas primeiro fazes o jantar, respondo.
Correu bem…
Continuo a subir os falsos planos da Via de La Plata. Em Hospital de Orbigo, apanho o “Francês” e volto costas ao Apóstolo no caminho coincidente com a Via Láctea e paralelo à N-120.
A meio do dia abandono o pneu suplente em detrimento da reposição do stock de cereais (500g) para o pequeno-almoço.
Agora que a dor começou lentamente a abandonar o meu corpo e a solidão se instalou, sinto-me preparado para enfrentar os desafios que tenho pela frente.
Por caminhos de montanha duros e pedregosos, prostrei-me perante a etapa rainha de todos os caminhos Jacobeos. Cruzar o puerto de Pajares. Passei da agonia à euforia num minuto. Por um lado, foi horroroso, por outro, foi delicioso e saboroso descer mais de 1000 metros vertiginosamente.
Foi uma escolha acertada corrigir a previsão inicial de dormir em Pajares. Não evitei os 3º C matinais mas era preferível começar o dia a subir
15Abr10 Pola de Lena-Salas 82.4 kms
As Astúrias denunciam-se. Pedalar por aqui é vida; é aspirar o ar que circula entre as pedras rugosas e superfícies polidas dos caminhos das ruas e vielas pelas quais se rasgam após um verde natureza em tons indescritíveis
Fora desta cidade, o caminho Primitivo é deslumbrante. São centenas de quilómetros em trilhos bem definidos e conservados.
Se não precisasse da minha alma como moeda de troca para o inferno de amanhã, entregava-a desde já ao Criador. Estou satisfeito
Ansiava por um estimulante. A estrada convidava a descer, falho o track e encontro a loja Santiago. O café é oferta da casa. TOMA LÁ!!!
Já no rumo certo, os bosques frondosos de vegetação densa protegiam-me da chuva, captavam a minha atenção e encheram-me de motivação. Tomei “green energy”.
Depois da bifurcação da Rota dos Hospitais, todos os quilómetros, todas as pedras, todas as gotas de suor, valeram a pena.
Agora era eu que dizia para mais tarde recordar “Ainda não acabei este caminho e já tenho vontade de o repetir
A estocada final veio depois de Fonsagrada. As subidas puxavam para trás, a chuva e granizo empurravam-me para as bermas. Resisti até aqui, logo a seguir, só me apetecia chegar.
Tudo isso foram momentos, mais tarde, horas depois, são recordados e entendidos como parte do espírito de qualquer travessia.
E como nem tudo gira em torno da bicicleta, a noite no albergue foi especial. Fui iniciado num ritual galego de tradições celtas, a queimada. Um autêntico “mata-bicho” feito de (muita) aguardente, açúcar, café e limão que nos eleva o espírito e adormece o corpo.
Sem o saber, comecei um vício
Os caminhos seguem e cruzam estradas secundárias numa sucessão de paisagens e pisos muito semelhantes. Depois de tudo o que vi, podia dizer que esta é uma etapa algo aborrecida se não fosse recorrer ao meu vício. Beber a queimada de Lugo no único bar aberto ao Domingo após muitos quilómetros sem abastecer de água e comida.
Pressa de chegar?! Só tive um dia. Agora, vou rolar…O piso lamacento e água da Galiza não deixaram.
19Abr10 Melide - Santiago Compostela 54 kms
Chegar a Santiago é um passo de gigante. A bicicleta ganha vida própria e desliza como nunca. Multiplicam-se e misturam-se pessoas, centros urbanos, carros e consumismo. É a massificação do Caminho Francês; é a perda da mística; é o voltar à realidade.
08 abril 2010
A Caminho do Jacobeo 2010
10 setembro 2009
TRANS_JORDAN em PETRA
31,01Set – Wadi Musa - Wadi Rum – Aqaba
Desde o centro de visitantes de Petra até ao ponto com o mesmo nome em Wadi-Rum passaram 108 kms. O “vazio” do deserto tem sempre algo para oferecer e é muito mais que areia. À minha frente emergem cumes abruptos que preenchem um cenário inabitado há muitos milhares de anos. E o que dizer da junção de cebolas, tomates, especiarias e malaguetas aquecidas em lume de carqueja e uma refeição cozinhada num forno enterrado no chão e coberto de areia?!!! Até as cebolas inteiras eram deliciosas... À hora da refeição, os sentidos eram o meu guia. Apesar de ser confrontado com sabores para os quais não encontro o nome correspondente, não nego o privilégio que tenho ao provar pratos diferentes recheados de condimentos onde tudo tem um cheiro, cor e forma distintos. Os países são feitos de pessoas e são elas que transformam estas experiências em momentos gratificantes que fazem os dias saberem a vida. Por isso, estas viagens em bicicleta não me incham as pernas, incham-me o cérebro porque volto sempre cheio de ideias.Acabo como comecei. Só eu sei porque não vou para casa
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TRANS_JORDAN em BTT
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27Ago Al-Karak-Dana Village
Ao adicionar quase 4lt de água com os restantes bens essenciais da mochila, esta tornou-se uma âncora e um desconforto extra para os 30 kms de subida contínua que nos aproximam de Táfila. Dentro das cidades, o caos urbanístico e automobilístico é inenarrável. Aqui apenas compro algo que possa comer. Algures... O Ramadão e a cultura deste povo levam a que qualquer tomada de alimentos seja feita longe dos olhares dos transeuntes. Não é fácil, parece que estão por todo o lado. No final de um dia de quase 100 kms, o cansaço acumulado não me dá a mesma disposição para ouvir tantas buzinadelas, fugir dos cães e dos miúdos que muitas vezes mandam pedras (à Angel Fish).
26Ago Dead Sea – Al-KarakAlguns meses atrás quando o Rakan me alugou as bikes e em conjunto traçámos a rota desta travessia, ele perguntou-me se eu tinha a certeza que queria subir desde o mar morto em pleno Agosto?!! Hoje percebi porquê. Foi agonizante. Menosprezamos a montanha e carregados com "litradas" de água e em bicicletas pesadas e desajustadas, nunca vinte e poucos quilómetros me custaram tanto a fazer. Ia tão lento e as moscas eram tantas que até pela boca me entravam. Nisto e com o suor incessante a escorrer face abaixo, obrigavam-me a parar porque em determinadas alturas não via nem conseguia respirar. A imensidão de cumes áridos e secos eram como uma cortina que limitava o perscrutar do horizonte. O tempo passava, novos cenários não surgiam, no entanto, a quietude e solidão do lugar continuavam lá, comigo. Muito devagar.
25Ago Madaba- Dead Sea Há 5 dias que ando em “modo terrestre” pela Palestina e Amman. Durante este tempo, proporcionalmente gastei mais em deslocamentos do que em alojamentos e por isso, a escolha da bicicleta para percorrer os próximos 10 dias todo o sul da Jordania com a Angel Fish, foi uma grande ideia. O efeito provocado no povo jordano aquando da passagem da bicicleta é fascinante. Muitos risos, adeus, sinais de luzes, buzinadelas e diversas ofertas de ajuda para apanharmos boleia. Tudo vale para demonstrar o apreço e respeito por tão nobre veículo de transporte movido a esforço e essencialmente muita paixão. As montanhas da reserva natural de Mukair revestidas a tons de castanho são áridas por natureza. Elas são rasgadas por vários vales e por uma fenda geológica que se estende até ao norte de África. Os seus canyons e trilhos permitem, por um lado, a observação da vida selvagem, e por outro o cannyoning. Eu aproveito o manto negro do alcatrão para a atravessar e descer até ao ponto mais baixo da terra. O mar morto (400 metros abaixo nível do mar). Nadar neste misterioso lago salgado e adormecer numa cama de rede dos chalets existentes nas suas margens, é apreciar uma experiência única. Por muito que me esforce, torna-se quase impossível afundar-me numa água cuja percentagem de sal atinge os 350g por litro. As suas propriedades curativas combinadas com a temperatura, convidam a ficar. O que parece difícil encontrar por aqui é mesmo água fria para se conseguir tomar banho.Jordânia e Israel com pedais e mochila
Eis que chegaram as férias da missão. Ao invés de ir para Portugal, escolhi viajar para outro país do Médio-Oriente. Quero ter o prazer em ver uma das 7 maravilhas do Mundo; Quero estar presente no dia-a-dia de outro povo para ver e aprender; Quero ver e sentir-me impressionado.
Preciso procurar o que é novo, desafiar o comum e o vulgar partindo ao encontro de novos locais que me realizem os sonhos e me transmitam o sentido da vida.
Tudo o que quero é uma vida simples, num mundo maravilhoso, percorrido em bicicleta.
Este meu desejo de errancia, não o encontrei nem me cruzei com alguém que mo transmitisse ou influenciasse. Senti-o na adolescência quando descobria os livros dos Cinco e de Júlio Verne.Para Verne, Tudo o que uma pessoa pode imaginar, outras podem realizar. Sem as viagens, os meus sonhos nunca se tornariam reais. Não me basta ler e pesquisar, preciso pisar os locais para os verdadeiramente conhecer e Petra está entre as 1001 coisas que desejo ver, antes de morrer
23 agosto 2009
Jerusalém 20Ago09
Agora deste lado comecou o Ramadao. É só somar pequenas aventuras.. As pessoas mudam os lugares. A noite no mesmo hotel em Amman deixa de ser apenas passageiro, superficial; deixa de ser apenas mais um momento para, ao encontrar alguém com a Nesma, nos sentirmos em casa.Até agora, proporcionalmente gastava mais em deslocamentos do que em alojamentos e por isso a escolha da bicicleta para percorrer nos próximos 10dias todo o sul da Jordania, foi uma grande ideia.
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O calor impoe as suas regras. Para o contrariar, em bancadas ou em "bandejas ambulantes", aparecem os sumos gelados a fazerem lembrar o arco-iris.
Perco-me várias vezes. Sem, e com guia. Vagarosamente e aleatoriamente vou sempre ao encontro de algo supremo, independentemente da religiao a que pretence.
Fora de portas, Jerusalém, é um caos automobilistico. O melhor é mesmo para ver a pé, nem que sejam necessários 40 minutos para chegar á Youth hostel.
Israel_Palestina 19Ago09
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Beirute_Jordania
Amman 18Ago09O transfere para a fronteira feito em vários mini-bus e táxis partilhados, foi uma rica experiência. Atolado é uma força de expressão levemente utilizada para descrever o cenário no interior dos autocarros.
O controlo de passageiros na fronteira segue um rigoroso ritual de procedimentos que vão desde o interrogatório, até a várias passagens em check-points.
Desde Amman ate á Damascus gate em Jerusalém passaram 5h debaixo de um sol abrasador. Para amenizar este ar seco que se sente, é comum encontrar borrifadores gigantes em forma de hélice que salpicam água em todas as direcções.
Eu já sabia que à entrada de locais públicos existiam detectores de metais. Uma coisa é ler, a outra é sentir o incómodo de retirar tudo o que trazemos e percebermos que este gesto faz parte da rotina deste povo.
Impressionou-me também ver tantos militares e civis – adolescentes – a transportarem uma metralhadora.
Mal comparado, esta arma é como o IPod nos dias de hoje. Vai para todo o lado.
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Cada país tem uma história para contar. Em apenas 2 dias vivi essa realidade. A primeira foi no Líbano e começou no edifício onde só a partir do 2 andar é que estavam os alojamentos.Tudo o resto eram serviços variados.
Pouco ou nada dormi nessa noite porque a agitada vida nocturna ouvia-se nas ruas e nos telhados dos grandes hotéis.
Em Beirute, os predios destruídos em sintonia com veículos do século passado são rapidamente ofuscados pelo luxo e pela grandeza de hotéis e carros que mesmo sem extras, a maioria, não conhecia ou só os vi em revistas.Não é por acaso que outrora este país se chamou Paris do Oriente.
Já em Amman, no edifício do hotel, fui surpreendido com o cheiro logo à entrada. O odor era-me familiar e transportava-me para os grandes espaços semelhantes a balneários. Subi as escadas e eis que tenho um encontro imediato com uma grande quantidade de sapatos.
Que check-in estranho – pensei
Tirei os meus e …
- És muçulmano? - Perguntaram
- Não, sou católico – Respondi
Numa fracção de segundos entendi que aquele piso não era o do hotel.
Continuei, calçado, a subir as escadas.
Estou bem. Estou no Abbassi Palace hotel onde se sente a hospitalidade deste povo.
O serviço e o conforto transmitido por este tipo de alojamento é único. Em que telhado de hotel podemos ter um churrasco para todos os hóspedes com os membros da família e ouvir passagens do Alcorão nos altifalantes sem pagar mais que os 5JD por noite incluindo P.A?
Depois, pede-se um café e aparece uma bandeja recheada de frutos secos, bolachas, rebuçados, água e, claro, o café.
Tirando a parte antiga da cidade (downtown) densamente povoada de mercados, hotéis e vendedores, pouco mais à para ver na capital da Jordânia.
Amanhã viajo novamente. A king Hussein bridge é o ponto de partida para a Palestina.
Vou atravessar o rio jordão e depois, lado a lado, sigo até ao mar da galileia.
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