15 outubro 2012

Pedalar por um sonho às portas do Círculo Polar Ártico

O Video integral desta aventura


Cada pessoa tem uma história e um sonho. Enquanto não chegam os dias que precisamos para dar a volta ao mundo, começamos com os poucos dias de férias a fazer grandes viagens.
Esta é a forma que encontrámos para ampliar o nosso horizonte e tomar o pulso à vida.




A caminho da Islândia

28Ago12 – Keflavik – Selfoss  2 Cataventos à solta na Islândia

Nós movemo-nos como este vento que corre livremente por este país gelado. Tão a Sul quanto é possível nesta latitude, percorremos a estrada da costa expostos a um inquietante e impressionante vento que nos derrubou por diversas vezes.
Ele não deixa saudades, apenas ficam marcas e recordações. Por momentos sentimo-nos transportados para o outro extremo do mundo na Patagónia onde os 8 meses que separam estas 2 aventuras, não chegam para tirar do corpo o desconforto que nos provocou.


Por todo o lado nota-se a natureza intocada com pouca vegetação, os tons escuros dos solos vulcânicos e muitas rochas de lava cobertas de musgo.

O momento do dia foi junto da Lagoa Azul, um dos pontos mais turísticos da Islândia. Nesta área geotermal, famosa pela temperatura das suas águas, enquanto uns tomavam banhos termais,cá fora nós tremíamos de frio enquanto registávamos o momento para a eternidade.


29Ago12 Selfoss-Selfoss – Atrás das montanhas em busca do Circulo de Ouro

Há muito que este país abriu as portas para o mundo. Aqui há natureza selvagem e é proibida a entrada a quem não tiver vontade de a apreciar e respeitar.Impressiona percorrer vastas áreas sem lixo ou painéis publicitários
Continuamos a Sul. Selfoss é uma perfeita paragem antes de viajarmos para o interior das highlands e conhecermos a cascata gullfoss e o geysir.


Hoje o dia foi programado para viajarmos sem bagagem. Era uma volta circular que nos levava para lá das montanhas até à fenda onde a Islândia de equilibra.
No parque nacional de Pingvellir vivemos alguns dos mais conhecidos fenómenos naturais desta ilha. Aqui é o local onde se separam as placas tectónicas americana e euroasiática criando uma fenda que se afasta 2cm por ano.


30Ago12 Selfoss-Laugarvatn-Geysir-Gullfoss-Fludir_Árnes

Qualquer que seja a direcção do nosso olhar, continuamos a contemplar paisagens de esmagadora grandiosidade que nos preenchem a cada dia que viajamos por este território tão perto do Circulo Polar Ártico.
Este último pedaço de terra virgem da Europa, marcado por exigentes condições de vida, consegue surpreender e oferecer cenários intocáveis.
Só hoje vimos um saco de plástico perdido, preso no arame de uma vedação. Poucas marcas existem da acção do homem, ao invés, os fenómenos geotermais multiplicam-se.
Percebemos agora porque chamam de círculo de Ouro ao geysir e à cascata Gullfoss? O turismo mais valioso chega em inúmeros autocarros e viaturas 4X4 equipadas com rodas “extra size”.

Não épreciso chegar a este hot-spot para sentir os cheiros que os vapores emanam do subsolo. Em povoações com pouco mais de 4 casas, é possível ver-se a terra em plena actividade diante dos nossos olhos e sentir-se covidado a ocupar todo o espaço aquecido.
Laugarvatn, Fludir ou Árnes, todas são um território mágico onde o tamanho não conta e os limites que existem são impostos pela nossa imaginação.
Estas aldeias não brilham mas valem ouro. Ainda estamos a 20 quilómetros mas já passaram mais de 10h desde que saímos. É tarde e não vamos ter tempo para recuperar e enfrentar 4 dias de total isolamento por uma estrada de montanha que atravessa 2 glaciares.


A ementa para tantos dias corre velozmente na minha mente. Compramos tudo o que julgamos vir a precisar, mas antes, percorro corredores, vasculho prateleiras, tenho hesitações…
Calei o medo e peguei na bicicleta.

31Ago12 Árnes – Rest day

As previsões do início da semana apontavam para um mau dia.Era uma “black friday” confirmada hoje à hora da aurora. Chuva, vento e um cansaço acumulado fez-nos adiar o salto para o desconhecido.
Um amigo lembrou-nos num e-mail para não nos esquecermos que estamos de férias…

01Set12 Árnes – Highland center

Damos hoje a primeira pedalada de aproximadamente 300 quiómetros em direcção ao centro da Terra,as highlands.
Para muita gente, viajar significa ir ao encontro daquilo que procuram. Nós que viajamos com a bicicleta e em autonomia, sabemos que o destino está traçado mas é incerto. O encontro com o inesperado é muitas vezes algo que acotnece com frequência.


A consulta da meteorologia no dia anterior não dispensa a que fazemos antes de partir (os ventos têm variações incríveis de direcção e intensidade em poucas horas).
Foi uma noite mal dormida devido à ansiedade e ao risco do que nos propunhamos fazer. Sabemos que cada quilómetro que andamos, começa uma nova aventura.
Não podíamos esperar mais.Saímos do Youth hostel debaixo de chuva tendo como esperança alguma falha nas previsões meteorológicas para as horas seguintes.

A expectativa de estarmos a avançar para vermos as cascatas de Hjálparfoss e Haifoss, servia-nos de consolo e alento durante a longa extensão de solos escuros “manchados” de um verde que eu diria muito típico desta região.Insípidos e molhados desde cedo, buscamos abrigo no hightland center.


E porque hoje faço anos, tudo o que desejo é horizonte para pedalar. Com a bicicleta eu encontro o equilibrio para viver.


02Set12 Highland center – Nyidalur hut

Toda a ilha é uma zona livre de stress, quando percorremos a fantasmagórica Sprengisadur route (F26), percebemos que estamos livres de tudo, até do nosso juízo.

A nossa ambição quando tracámos esta rota era atravessarmos o país de sul para norte e passarmos entre os glaciares Holsjokul e Vatnajokull.
A natureza pode ser simultaneamente dura, delicada e cruel como foi ontem, mas foi generosa connosco hoje. Permitiu-nos ver a paisagem de cascalho solto, nua, sempre do mesmo tom castanho escuro.
O silêncio ganhou espaço até ao momento que conseguimos chegar ao abrigo de montanha (hut)


03Set12 Nyidalur hut – rest day

Nem pensar em cruzar a delicada porta do abrigo. Lá fora está tudo muito diferente do que estamos habituados  e por isso mantivémo-nos no hut de Nyidalur (na base do vulcão Tungnfell) durante 2 noites por segurança. O fogão está sempre aceso e tem uma enorme panela com água pronta a aquecer quem chegue.
Para que possamos variar do esparguete e noodles (já não há muito), vamos – tentar- fazer pão. O resultado da nossa experiência a juntar ingredientes com nomes impronunciávies em que íamos provando para perceber o que era, deu num cruzamento ente o pão e o rissol. O duo de motoqueiros que dividiam o hut connosco repetiram. Significa que inventámos mais um pastel, falta só dar um nome…


O Ranger do Parque Nacional acaba de chegar ao hut e veio confirmar que somos mesmos malucos por estarmos nas highlands nesta época. Além disso, avisou que vai haver tempestade para esta noite e amanhã.


04Set12 Nyidalur hut-rest day

Lá fora estão 0ºC e as bicicletas encostadas, imóveis, sujeitas a mais um teste de resistência.
O nosso passatempo é assar batatas, ver quem passa e a forma como transpõem o rio. A nossa vez de partir vai chegar, ainda não sabemos é quando. Para já, passa a 3 noites…


05Set12 Nyidalur hut - Laugar

O som do vento acorda-me muito cedo e era semelhante ao dia anterior. Se a direcção se mantivesse de norte, significava mais um dia perdido. Inquieto, dirijo-me até à janela para observar o único ponto de referência no exterior, uma bandeira chicoteada pelo vento vindo de sul.


Estava dado o sinal de partida para mais do que uma maratona nas highlands. Ao longo do caminho, a neve mantinha-se por vastas áreas, e o vento empurrava-nos ao mesmo tempo que nos congelava as extremidades e queimava a pele.

Foi uma benção a ajuda do Ranger para transpormos 2 rios em segurança sem nunca nos molharmos. A água que nós e os Islandeses bebem vêm de rios como estes sem qualquer tipo de tratamento.
Depois de olharmos este mundo agreste em cima de uma bicicleta e de estarmos juntos da cascata dos Deuses (Godafoss) na ring road, mais uma vez sabemos que são incontáveis as pedaladas, as histórias e os medos que tivemos até chegarmos a um lugar seguro.
Optámos por um mimo para as próximas 2 noites e vamos dormir numa guest-house que tem no exterior um hot pot onde podemos “ficar de molho” várias horas numa água que vem directamente das entranhas desta terra.


06Set12 Laugar – Lago Myvatn- Laugar

Foi tanta a privação nos dias anteriores que hoje sonhámos com o pequeno almoço que teríamos pela manhã antes de nos deslocarmos para o Lago Myvatn. Este lago imenso e a área envolvente são um dos grandes tesouros europeus.
Durante a nossa volta circular, toda a paisagem é surreal. Lava, fumo a sair da terra, crateras, água e montanhas vulcânicas.
Há muitos dias que transportamos os fatos de banho na pequena mochila que vai às costas na esperança de um banho quente em qualquer charco inesperado. Hoje tivemos o nosso primeiro hot pot. Eles são um must nesta região (é como estar num jacuzzi no meio da rua com um cenário deslumbrante).

07Set12 Laugar – Akureyri

Isto de pedalar com vento não tem graça nenhuma, especialmente porque não se consegue ter momentos de contemplação parados.
Em dias assim eu sou a ponta da flecha que abre uma fissura no vento e permite que a Filomena possa andar na roda. Acabar é uma vitória mas não existe glória quando se chega ao fim.

Akureyri é a capital do norte e a 2ª cidade maior do país com 18000 habitantes. Civilização sitiada num fiorde rodeado de cumes nevados, uma escolha acertada para ficar 1 dia a descansar.


08Set12 Akureyri – rest day

09Set12 Akureyri- Varmahlíð

Mesmo a pedalar sobre a route1, os grandes horizontes continuam a fazer parte desta viagem. Andamos pelos vales e seguimos os cursos dos rios alimentados pelas águas que escorrem incessantemente das arribas que nos flanqueiam.
Podia afirmar que estou eufórico diante das infinitas possibilidades que tenho pela frente, mas não estou.Novo aviso de tempestada acompanhada de ventos fortes(23 m/s), não convida a grandes aventuras.
Por hoje não precisamos de nos preocupar, estamos bem abrigados numa quinta na aldeia de Varmahlíð com 130 pessoas.

10Set12  Varmahlíð – Rest day
Parece que o Inverno veio todo num só dia e pintou tudo de branco. O supermercado está a 300 metros mas é como se fosse uma miragem. Temos mais um dia de paragem forçada.
O nevão ganha cada vez mais terreno à medida que as horas avançam. A estrada está interdita à maioria dos veículos e por precaução as pessoas são aconselhadas a procurar alojamento.
Em pouco tempo, a senhora Inda de 81 anos que há poucas horas atrás parecia ter uma vida pacata a cochilar no seu sofá, mostrou-nos como é uma verdadeira mulher do norte.
Enquanto nos convidava para um lanche com bolos caseiros, mostrava orgulhosamente os álbuns de família; recebia os turistas que iam chegando e quando a lotação esgotou, pegou no seu jeep e conduzia estrada fora para os ir alojar.

11Set12  Varmahlíð – Saeberg (hostel)

Esta aventura já foi longe demais. Temos metade da quilometragem que planeámos, centenas de peripécias e riscos incalculados e só nos apetece chegar à capital.
Lá fora, tudo continua branco e a abanar, no entanto existe a necessidade de arrancar. Estamos confiantes nas previsões para o dia de hoje, mesmo quando aquilo que vemos, não inspira confiança.

Será um risco calculado pedalar sobre um manto branco sem saber o que vem a seguir? Eu acredito que quando coloco o pé no pedal com fé, tudo o resto se movimenta.
Começa a nevar, começa a montanha…Vários carros estão soterrados nas bermas, os flocos voam, magoam as faces e a subida ainda vai no início.

Metro a metro vamos quebrando o gelo, quem passa, tira fotografias e fica incrédulo. Nós também.Não sabemos como equilibrar as 2 rodas perante esta manifestação da natureza. As equipas de emergência patrulham a área e nós fazemos “like” sem nos apercebermos que as descidas se tornariam autênticos escorregas.
Pedimos boleia e somos resgatados até ao nosso destino. Está um sol maravilhoso e as vistas são lindas.A vida é tão bela, porque será que ando de bicicleta em sítios tão difíceis?
Pronto!!! Depois de 1h dentro de hot pot, já percebi porque não fico em casa. A minha casa é onde está o meu coração.

12 e 13Set12 Saeberg – Borganes - Reyqjavik

Estamos a oeste mas o nosso sentido é cada vez seguir para mais perto do nosso ponto inicial.
O isolamento e a ausência da mão humana continuam a ser uma das grandes referências deste país. Os horizontes até Borganes perdem a cor e parecem-se com tantos outros que já vimos noutros lugares.


Mais um dia.É provavelmente o único em que vamos pedalar menos de 100 quilómetros pelo menos esta é a indicação do track e da sinalização existente.
Decorridos 2horas a pedalar na ring road e já perto de Akranes surge-nos outro imprevisto. O túnel sob o oceano está interdito a bicicletas obrigando a um desvio superior a 40 quilómetros. Não foi um balde de água fria porque molhados já nós estávamos.
“Contornar” o fiorde psicológicamente foi uma árdua tarefa. O apelo ao desânimo sobrelevava-se relativamente à acção de continuar a fazer girar os pedais. São únicos e ficam para sempre os momentos em que o “mundo” que existe em nós, jamais nos deixará presos naquele local.

Reyqjavik não está isolada, não está no topo de uma montanha e nem sequer há nada de extremo nesta cidade excepto as vias de comunicação que lhe dão acesso.
As faixas de rodagem em driecção à cidade e a sensação que temos em cima da bicicleta é a de estarmos a pedalar numa auto-estrada.
A capital não nos cativa, é exageradamente cara e parece viver só de noite.

14 Set12 Reyqjavik – Keflavik

Felizmente que as imagens que estamos a ver e que são iguais ao primeiro dia, representam apenas uma pequena amostra deste país. Não há árvores, não há rios, não há vales, apenas uma rugosa paisagem lunar fruto da forte actividade vulcânica nesta península.
Até ao aeroporto já não contamos observar tudo aquilo enche as brochuras e panfletos que se podem encontrar e consultar espalhadas por qualquer parte desta linda ilha. Resta-nos pedalar. 

24 julho 2012

Iceland - Uma Terra de Sonhos


No reino do Gelo Eterno com a bicicleta


Falta um mês para estarmos sobre esta ilha de vulcões e glaciares intercalados com picos de montanhas, situada abaixo do Círculo Polar Ártico.
Aqui pretendemos pedalar durante mais de 2000 quilómetros e fotografar o espectáculo da origem do mundo.


Toda a história  em iceland luso expedition













30 dezembro 2011

Patagónia e Terra do Fogo – Um território imutável para uma aventura solidária em Português


Pedalar mais de 2000km pelas inóspitas regiões da Patagónia e Terra do Fogo foi um dos desafios que preparámos para Novembro e Dezembro de 2011. Fizemo-lo em autonomia, de forma sustentável e ecológica com o auxílio da bicicleta e do GPS.
O outro desafio era conseguir mudanças positivas através do envolvimento que a bicicleta promove junto das pessoas e do mundo, dando um sentido solidário a esta viagem. Associámos a nossa expedição à Operação Nariz Vermelho e angariámos 1€ por cada quilómetro, através do financiamento colectivo que a plataforma on-line Crowdfunding proporciona.
O itinerário para esta distância foi planeado para um mês e redigido a lápis. Sabíamos que não passava de um rascunho. Por necessidade e sempre com muito esforço, aumentámos a quilometragem diária para vencermos o isolamento e procurarmos conforto e comida.
A letra da música diz que “tem mil anos uma história”. Nesta expedição, cada quilómetro dá uma história em que o tempo não voa, parou.

Estes são os apontamentos de uma viagem de ida… Por uma causa solidária


14Nov-D1 - Um aeroporto e nada mais - Em Balmaceda no Chile estamos às portas do desconhecido e sentimos que temos toda a eternidade à nossa frente.
O vento soprava na nossa direcção, independentemente da inclinação da estrada, a dificuldade a progredir era imensa. O cansaço acumulado 2 dias em aeroportos foi quanto bastou para que a nossa energia só chegasse para pedalar.
O churrasco patagónico no “hangar” de Balmaceda foi a única refeição digna desse nome a que tivémos direito antes de nos metermos a caminho. Nesta altura já passava das 15h00 e a previsão para esse dia era percorrer 60kms num território completamente desconhecido.


15Nov-D2 - Uma canção para nós – De Cerro Castillo a Puerto Tranquilo
O ambiente familiar reina na casa da Sra Yolanda com vista privilegiada para o grande cume gelado de Cerro Castillo que empresta o nome a este tipico povoado patagónico de 400 habitantes. Sobre - a única - rua perfilam casas de madeira e chapa de zinco que nos remetem para uma recordação muito distante dos nossos dias.
Na manhã da partida, uma surpresa. A dona da casa liga para a rádio e pede um disco em homenagem aos 2 portugueses que lhe haviam mostrado no globo onde ficava o seu país. Em directo recebíamos votos de muito sucesso na nossa viagem na telefonia “cantava” a Cerro Castillo volverei.
Nem 100 metros andámos e já estávamos no todo o terreno novamente. A carretera astral é verdadeiramente impressionante pelos locais que atravessa e por aquilo que permite ver: bosques sempre verdes, fiordes patagónicos, imponentes rios com paisagem praticamente inalterada desde a sua origem. A única contrapartida é a base de construção desta estrada, rípio. Esta era uma palavra para a qual já tínhamos encontrado uma resposta na Internet. Para nós, será sempre quantidades bíblicas de seixos rolantes, terra e cascalho
Foi um dia de fortes pendentes onde se obtinham magnificas vistas sobre o vale do rio Ibañez e os cumes que o rodeiam. O piso fazia lembrar uma chapa ondulada até PuertoTranquilo.

16Nov-D3 - Debaixo de um calor abrasador até Cochrane - Sempre na mesma estrada, continuamos a ladear o maior lago do Chile, o lago General Carrera. Para trás ficou a laguna verde e a comunidade de Puerto Bertrand onde apreciamos mais um lago e o caudaloso rio Baker com as suas cores azul turquesa e verde esmeralda.
A estrada já não impressiona pela sua largura nem tampouco pelo seu piso, o grande aspecto a ter em conta é as fortes subidas que ainda temos pela frente e nem o facto de seguirmos pela margem de um rio nos poupa a tamanho sacrificio.
Mesmo com aquele vento que soprava, como era possível o calor que se fazia sentir? Ambos íamos sem luvas e apenas com uma fina camisola a cobrir o peito mas a vontade da Filomena era ainda a de cortar as calças, no entanto, bastava estar alguns minutos parados ou que o sol se escondesse e a resposta estava dada.
A beleza tem um preço. Vencermos a dureza e a solidão desta estrada do sul faz de nós sortudos porque a podemos apreciar.


17Nov-D4 - Um fim de tarde até ao Pacífico – O caminho leva-nos hoje por longos bosques com cascatas a verter para os lagos Esmeralda, Brown, Chacabuci e Vargas.O piso continua duro e incómodo, nos últimos 30 kms eu já não me sentava e a Filomena já não falava.
Era já muito tarde quando chegámos a Caleta Tortel na costa do Pacífico. A estrutura urbana desta povoação assenta num conjunto de passadiçoes que lhe conferem uma beleza única e típica.


18Nov-D5 - Uma noite com céu para apreciar – De Caleta Tortel a Villa O´Higigins
Nesta altura do ano, os horários são limitados para escolhermos entre os únicos 2 barcos que cruzam o Pacífico em Puerto Yungay. Aquele que nos foi possível eleger deixou-nos na outra margem às 17h, para uma autêntica maratona de quilometragem.
Era preciso manter a pedalada para que o nosso dia de sorte fosse hoje bem à noitinha ou então amanhã bem cedo. Tínhamos de chegar a Villa O´Higgins porque o único barco para atravessar para a Argentina é ao sábado e esta era uma janela de tempo à qual não podíamos ficar indiferentes.
Neste pedaço de terra imutável onde as marcas humanas estão reduzidas ao mínimo e as distâncias a vencer são enormes, fazer este dia com uma bicicleta passou de desafio a necessidade. O nosso rodado continuará a ser uma marca de sustentabilidade, nem aqui nos temos de preocupar com o preço do combustível. A pedalar chegamos sempre aonde queremos ir.


19Nov-D6 - Basta uma casa e comida caseira – Repouso em Candelário Mancilla.
Estamos à entrada do lago O´Higgins em Bahia Bahamonde e durante o nosso trajecto perdemos o privilégio de contemplar o que a noite nos ocultou. Faltava pouco para o nascer do sol e para a hora de partida. Devido ao frio, foi preciso procurar algo abandonado para repousar pouco tempo e comer algo: uma papa láctea e um polidesportivo, onde forçámos a entrada.
Era bom conseguir relatar tudo o que não está à vista, nem escrito: as dores nos joelhos e estes corpos amarrotados como papel de jornal.
A carretera austral chegou ao fim, agora só é possível continuar para sul navegando. O barco está atracado e é ele que nos levará para Candelário Mancilla.
Nesta mítica estrada sul-americana passaram-nos pelos olhos momentos de contemplação e introspecção de episódios marcantes da nossa vida. Deixamos aqui um pedaço de nós, levamos, a imensidão das paisagens mais famosas do planeta.
Na única habitação de Candelário conseguimos alojamento e refeições quentes, era altura de retemperar forças, ganhar ânimo e energia porque faltava ainda muita terra para pedalar.



20Nov-D7 - Na senda para a Argentina – O que foi preciso andar para chegar ao lago del Desierto .
Para hoje estava prevista outra travessia de barco. O lago del desierto estava a escassos 18kms do local onde começámos a nossa etapa. Embrenhados pelos bosques húmidos, entricheirados pelas montanhas, seguimos um “sendero” que une o Chile à Argentina. Durante as 5h de caminho tudo em nosso redor era verde, de tempos a tempos, uma clareira e uma luz branca incandescente brilhava no topo das montanhas. A neve que caía era projectada pelo vento e o frio era cortante. Quando tinhamos de atravessar pequenos ribeiros, parecia que nos tinham cortado os pés. Nesta extremidade era como se o sangue deixasse de circular.Mesmo assim, deu um enorme gozo fazer este single-track a pedalar (no pouco possível).

No outro lado do lago, começava a estrada argentina. Não tem a largura da carretera austral mas é construída do mesmo modo, com rípio.
Com dificuldade aproximamo-nos do Parque Nacional Los Glaciares onde tudo parece um museu natural ao ar-livre.Há aqui uma grande concentração de natureza, acessível e ao mesmo tempo selvagem.
A tapar o horizonte avista-se as silhuetas pontiagudas desta parte dos Andes, as nuvens que vagueiam na sua frente apenas deixam antever um pouco do Fitz Roy. Para confrontarmos a imagem que trazemos formatada na nossa cabeça com a real, torna-se necessário seguir para El Chaltén.

Apesar de ser pequena, esta povoação surpreende pela diversidade de produtos e serviços que oferece à comunidade de mochileiros. Por todo o lado é um mundo de aventureiros.

21Nov-D8 - A mesma estrada no mesmo horizonte– De El Chaltén à estância La Leona
O dia acordou limpo e com um sol radioso. O cenário é a preto e branco, está mesmo à nossa frente e convence. Do Cerro Torre ao Fitz Roy tudo é afiado parecendo esculpido a 2 cores, nem a neve consegue fixar-se nas suas paredes.
Deixamos tudo para trás das costas e seguimos estrada fora em direcção a El Calafate. O vento e os condores seguem connosco.
A estrada, sempre igual, interminavelmente recta requer uma grande dose de imaginação para compor esta paisagem quase lunar da estepe patagónica.Passa junto de estâncias (quintas latifundiárias) onde não se vê rigorosamente ninguém.
Aos 90kms, no primeiro cruzamento entramos na também famosa Ruta 40 ou transpatagónica ou será um longo, longo caminho para lado nenhum?!!! No horizonte a mesma sombra cinzenta em contraste com o azul do lago Viedma que continuamos a contornar.
Agora podemos contemplar o Fitz Roy durante horas. É uma vantagem contarmos com o vento para nos atrasar o movimento porque assim os cenários não desaparecem. Fica tudo em câmara lenta.
Uma placa anuncia “Estância La Leona – Parador e Hotel”, é melhor ficarmos por aqui.

22Nov-D9 - O mesmo horizonte na mesma estrada– Em direcção a El Calafate

Ainda na cama ouvíamos a força do vento lá fora. Estava muito diferente do dia anterior e não havia parte do nosso corpo que não fosse totalmente coberto, era importante manter a temperatura. Pela RA40 continuavam os tons de terra com vegetação rasteira e só muitas horas depois surge o azul do lago Argentino. Seguimo-lo de perto até El Calafate.

23Nov-D10 - Glaciar Perito Moreno (Rest day) – Património da Humanidade em estado congelado
Dizer algo sobre uma massa de gelo formada há mais de 20 mil anos e que tem 60mts de altura e 5kms de extensão é manifestamente pouco. O espectáculo é grandioso: os blocos enormes que caem e que ecoam como explosões, a cor do gelo que perde a brancura nos dias nublados para se tornar num azul irreal.

25Nov-D11 – E tudo o vento empurrou – Algures entre El Cerrito e Tapi Aike
De repente, num instante, a RA40 passou a ser uma tortura. Já não bastava pedalar inclinado, o vento era demasiado e ou nos projectava para as bermas ou nos atirava para o chão. Completamente expostos, sem abrigos, sem árvores, sem rochas, sem nada, éramos como bandeiras ao vento. Sozinhos, 2 pontos minúsculos a lutarem para avançar uns míseros quilómetros. Nesta latitude há que aceitar, é o vento que decide quando deves parar.
Numa curva do caminho encontramos um destacamento avançado da polícia.É aqui que pedimos guarida.

26Nov-D12 – Tortura na RN40 – Dest. Policia a Villa Cerro Castillo
Amanhece muito cedo nesta região, por norma, é nesta altura do dia que o vento dá tréguas a quem se fizer ao caminho. No trajecto de hoje, um dia igual ao de ontem com a paisagem a repetir-se constantemente: muita terra, muita terra, muita terra. O silêncio que se sente é puro e absolutamente encantador.
A RN40 volta a vestir-se de negro e leva-nos até muito perto da fronteira. Para não sermos despojados dos alimentos, temos que os transportar no estômago. Paramos, fazemos uma “limpeza à nossa dispensa” e almoçamos porque sabemos que não se pode transportar alimentos frescos entre ambas as fronteiras.
Tal como dizia a música do disco pedido pela Sra Yolanda, “a Cerro Castillo volverás”. Cá estamos nós, quase 1000kms mais abaixo.

27Nov-D13– A uma pedalada das Torres del Paine – Com uma intoxicação alimentar alojada em nós como um animal daninho
Pela primeira vez em toda a nossa viagem seguíamos para norte. A direcção era o Parque Nacional Torres del Paine para aí ficar junto de um dos muitos lagos existentes.

Entrámos no Parque como liliputianos. Paredes de granito lisas e verticais com quase 3000 mts dominam a paisagem, todas elas são fustigadas pelo vento.Uma intoxicação alimentar consumia-nos por dentro como um animal daninho, a determinada altura,as pernas já não respondem, a pulsação dispara e só queríamos chegar ao nosso destino para acabar esta tortura física. No entanto, a patagónia chilena tem muitos recursos capazes de nos parar ou congelar no tempo.
Temos acesso a momentos de rara beleza quando cruzamos estes fiordes patagónicos. Ainda cansados, absorvemos cada pormenor, cada cor, cada relevo. Não conseguiremos colocar tudo no papel, não conseguiremos lembrar-nos de todos os detalhes para mais tarde contar no nosso país. Não tem importância, somos testemunhas deste tempo. Enquanto pedalamos vamos tentar registar o que vimos, porque aqui, o mundo era assim.

28Nov-D14 – A porta do turismo para a Patagónia – Coordenadas 51º43º39º
A noite foi chuvosa (ainda bem que o camping tem telheiros para colocar a tenda).
Seguimos pela margem do rio Paine e mais uma vez temos uma colossal quilometragem para fazer.Nada se compara aquilo que vimos aqui neste canto do globo, em qualquer altura do dia, não há pedaço de terra que não surpreenda.
As coordenadas 51º 43º 39º de Puerto Natales podem ver-se em diversas fachadas e lojas desta linda vila patagónia.


29Nov-D15 – O dinheiro não compra tudo – Entre Puerto Natales e a Villa Tehuelces
A “brisa” constante que soprava do Pacífico mantêm-nos melhor acordados que uma boa caneca de café. Transidos de frio, seguíamos congelados para entrar neste dia em terra de Magalhães. Faz tempo que vemos esvoaçar ao vento a bandeira que tem este nome. Eles sentem orgulho, nós também.
Com os neurónios dormentes do frio – ainda- percebemos que ia ser um dia de puro alcatrão. Com tanta adversidade, era importante ir relembrando porquê pedalamos.
Ao longe, bem longe, um morro quebra o horizonte. Era Morro Chico, olhando o mapa e o GPS não acreditava que tudo se resumia a 2 casas e a um estaleiro de obra. Aqui é assim, estamos na Patagónia, já estamos habituados.
Abrigados, tentamos comer algo mas somos alvos de uma curiosidade imensa. Pouco converdador e cheio de solidariedade, um cozinheiro chileno convida-nos a entrar para tomar algo que nos aqueça.
Com energia extra, não havia vento não havia nada que assustasse a rapaziada. O pior parecia estar para chegar, o alojamento estava completo. Só nos lembrávamos, de que vale ter dinheiro se não há nada para comprar nem conforto para se ter?

30Nov-D16 – Nem pedras nem árvores, só vento – Para o estreito de Magalhães em Punta Arenas
A nossa vontade é da força deste vento. Só as palavras a conseguem imortalizar.
A estepe, quase infinita, ondula e nada mais conseguimos ver. Há muito que perdemos as referências e a noção dos dias, o tempo deixa de fazer sentido. Colados ao estreito de Magalhães fomos avançando, minuto a minuto até Punta Arenas.
A Patagónia não tem fim, é necessário vivê-la para a compreender. Há beleza em todos os cantos, há luz e vento em todos os sítios.

01DezNov-D17– Um dia de história e de descanso recuando no tempo – Para cruzar o estreito de Magalhães até Porvenir
Estamos numa pequena parte do porto que tem centenas de quilómetros. Temos os pés em terra firme mesmo junto à passagem dos 2 oceanos. Passando o Estreito de Magalhães começa a segunda parte da nossa aventura, agora na Isla Grande de Tierra del Fuego.



02DezNov-D18 – Uma autêntica surpresa – De Porvenir a Cameron
Está um dia perfeito na ilha encantada. Sente-se mais o sol do que o vento e isso é óptimo para a nossa moral. Neste lado do Pacífico dá para perceber que a ilha é bonita: tem muita zona verde e o relevo ligeiramente acidentado, quebra a monotonia dos largos horizontes.

A escassos quilómetros dos 100, a Filomena – motivada- diz “Ricardo, com um tempo assim, apetecia-me 150. Como não há 2 dias iguais, avançando esta distância acumulávamos mais um dia para o imprevisto, era uma boa ideia.
Oinassin, tem nome de povoação, tem realce no mapa, não aparece no GPS. È uma estância com casas abandonadas e nós a contar com algo para abastecer, comer e partir. Já acumulávamos 100 kms e ainda pensar que faltava metade impôs-nos uma disciplina que aprendemos na Patagónia. Pedalar não é só atravessar territórios, cruzar povoações, percorrer quilómetros. É muito mais do que isso, é sentir a emoção da descoberta da natureza e olhar para tudo como se fosse a primeira vez.

O mundo tecnológico, quase portátil que se vive hoje em dia, é muito diferente daquele que estamos a vivenciar. A perspectiva de como o olhamos depende muito daquilo que fazemos. Há quem afirme que o mundo é pequeno, também pensávamos assim quando olhávamos este continente no GG Earth. Agora que aqui estamos, o pedalar parece não chegar ao fim e nem sequer temos uma tecla ESC que nos tire daqui para fora.

03DezNov-D18 – Viagem de ida e volta ao centro da Tierra del Fuego – De Cameron ao Lago Blanco
A chuva impiedosa, empapa o caminho, acentua o desgaste físico e corrói tudo o que possa haver em nós. O horizonte já não é vasto, parece perder-se a um palmo.
Uma casa abandonada serve-nos de refúgio para trocar de roupa, beber algo quente e ficar por um bocado até que a chuva abrande.
Os 360º de horizonte voltaram, não possuo esta terra mas pedalar sobre ela faz-me sentir como se lhe pertencesse.

O lago blanco, famoso pela pesca da truta, está rodeado de um fabuloso ecossistema que nos pasma por ser algo único e diferente de todos os cenários vistos nesta ilha. Sabemos que junto a ele existe uma hosteria e nós procuramos conforto, comida para hoje e para reabastecer.
Só de olhar dá para perceber a exclusividade deste alojamento, agora, temos dinheiro mas não é suficiente. Dialogamos, desesperamos, equacionamos todas as variáveis que nos tragam as melhores vantagens. Havia pouco a perder.
“No pasa nada” – diz o dono. Ele ajusta o preço à nossa medida mas no desenrolar da conversação percebemos que amanhã não poderemos ir para o destino pretendido. A passagem fronteiriça da Bella Vista estava destruída pelas chuvas de Inverno, e era necessário ir por S.Sebastian. Senti naquele instante uma descarga de adrenalina que me fez parar no tempo, isto significava recuar no mínimo 2 dias, voltar quase ao início da Tierra del Fuego e seguir na direcção do Atlântico. Mais um imprevisto na sua máxima expressão que nos podia condenar o resto da viagem.
Não sei se é da latitude, da sorte ou da coincidência mas o Sr Alfonso vai para lá amanhã e temos boleia garantida.
Cada vez me encanta mais a expressão chilena que diz “ Que te vaya bien”. Vou ter saudades deste país que não é o meu.

04DezNov-D19 – O alcatrão que não desejámos – Do Lago Blanco a Rio Grande
Das muitas conversas que tivémos com este chileno que foi Alcaide durante mais de 20 anos nesta região, aquela que mais o espantou foi o preço das bicicletas (a pick-up foi bem mais barata que qualquer uma delas).
Hoje começámos a pedalar muito tarde para quem tem ainda uma grande distância para percorrer. Era bom saber que a luz do dia se prolonga até às 23h
Os autocarros com turistas acumulavam-se na fronteira, é imperativo termos prioridade, se não há, fazêmo-la nós. Vamos para Rio Grande a pedalar pela estrada alcatroada onde procuramos alojamento já no lusco-fusco. Sentimos necessidade de atenuar a pressão acumulada nestes dias de incertezas, decidimos tirar mais um dia de descanso.

06DezNov-D20 – Como uma padaria pode fazer a diferença – Entre Rio Grande e Tolhuin
Vamos no vigésimo dia a pedalar, penúltimo da nossa viagem. Escolher a RA3 tornaria o percurso mais rápido, mais curto e mais monótono.
A intenção, desde o início, sempre foi percorrer estes 2 países o mais interiormente possível.Poucos quilómetros após Rio Grande voltamos ao pó, ao desconforto, ao prazer de pedalar por bosques e lagos bem no coração da Terra do Fogo onde se pode ver tudo tão gigantesco e tão distante, tão difícil e tão apaixonante.



Em Tolhuin, na padaria “La Union”, local de encontro de ciclistas de todo o mundo, somos convidados a entrar e a ficar.

07DezNov-D21 – Tudo tem um fim – Ushuaia, fim do mundo
Os Andes são a espinha dorsal da América do Sul, marcam a paisagem e afirmam-se como uma barreira de fronteira entre os 2 países. Hoje era dia de os cruzar junto ao Paso Garibaldi.
Já não éramos nós que nos aproximavamos, era a linha do horizonte que se dirigia ao nosso encontro. Para lá desta cortina estava a parte final do nosso destino e o tão aclamado fim do mundo.
Ushuaia é a cidade mais austral do planeta, é enorme e tem tudo para turistas. Daqui até ao extremo da ilha ainda faltam percorrer alguns quilómetros para entrar no Parque Nacional Tierra del Fuego e finalizar a ruta 3. Pedalámos até onde era possível pedalar.
Passou praticamente um mês, avançámos no tempo e explorámos espaços maiores que a vida, agora que estamos no fim do mundo só nos resta regressar com espírito novo e ficar com vontade de repetir.
Esta pode ser uma história irrelevante para o mundo, mas foi sentida com intensidade por quem, como nós as viveu longe do conforto e das certezas diárias num território como este.

We´re coming home. Tell the world we are coming home

Epílogo

O magnetismo e a sedução vão continuar a manter este território como um destino inesgotável. A nós só nos resta espalhar magia, usar algumas ilusões com as palavras e imagens para tentarmos chegar perto do inenarrável.
A Patagónia é um mundo à parte. Aqui tudo é desafio que exige muita experiência, audácia e capacidade de adaptação.
Se fecharmos os olhos e imaginarmos um lugar, voltamos à Patagónia. Continuaremos a viajar porque precisamos viajar. Para nós, a procura dos mais belos cenários e a paixão pela bicicleta, tornam todas as viagens possíveis.
Com a bicicleta temos outra perspectiva do mundo, ele não parece mais pequeno, parece mais real. Na bicicleta, ficamos mais humanos e mais polidos.