02 setembro 2007

Sicíla Ago07 – Sem pedais,mas sempre com o mesmo ritmo






Desta vez teve de ser. Prescindi da bicicleta e viajei até ao pedaço de terra junto da bota de Itália.
Até à data, vários dias se passaram sempre com temperaturas muito agradáveis onde a humidade nocturna se sente na rua, em cada passeggiata (passeio abaixo do lento) ou no aconchego da varanda do nosso apartamento com vista sobre o mediterrâneo.
Os pastéis estão para os portugueses, como as pastas e os gelados estão para este povo cuja fama de mafioso sempre os assombrou.
Esta “estranha forma de vida” não se desarma a olho nu. De qualquer forma, não é preciso ser especialista para observar as vespas com 4 passageiros a circularem sobre os passeios, os carros que não se desviam a meio da faixa de rodagem e a imensa massa humana que se aglomera nas praças locais.
Os guias dizem que os italianos nas suas passeggiatas, só comem 2 coisas. Amendoins e gelados.
Eu escrevo porque vi, eles comem um grande brioche (bolo) recheado de bola de gelado ao peq.-almoço e a toda a hora do dia. Em Portugal agora é mais o salgadinho e o folhado.
Indiferente ao ponto cardeal que o nosso périplo possa ter, o Etna, o maior vulcão da Europa e um dos mais activos do mundo, continua a marcar a sua presença com a cratera a mais de 3300 mts de altitude.
Ir à Sicília e não ver o Etna, é como ir a Roma e não ver o Papa. Assim pensava eu até chegar ao teleférico.
O Gonçalo Cadilhe diz que “ voar não é viajar” mas bem que podia acrescentar: andar não é voar mas ajuda a poupar e também é viajar.
Se numa companhia low-cost, 30€ já me tiram os pés do chão, 48€ para andar de teleférico colocam-me os cabelos no ar.
Fico sozinho sem os meus amigos e mantenho-me fiel à minha ideia inicial. Seguir o teleférico a pé...de gatas...a correr e 3h depois, o detector?! Qual detector?!!!!!
Não eram labaredas enormes mas a proximidade da cratera central, as pedras que caíam do ar e o fumo negro que pairava e rapidamente esvoaçava debaixo de um vento forte, eram sinais de que não precisava de nenhum instrumento para mostrar que o perigo existia. Eu sentia-o.
As fotos da praxe para registar o momento, volto costas e numa mistura de Forrest Gump e Tom Sawer, corro e salto, pedra após pedra, encosta abaixo até ao placard que dizia:


22€ para teleférico
16€ para autocarro
12€ para guia
48€ person, e eu sorria porque imaginava quantas bolas de gelado ia comer por aquele preço.

09 abril 2007

Finisterra 08Abr07 - Km 0




E pensava eu que tudo tinha chegado ao fim. Parece que me enganei... A aventura e as viagens vão continuar

07 abril 2007

Santiago de Compostela 06Abr07 – 850 kms




“Why do all good things come to an end!!!

Para mim, enquanto tudo girar em torno da bicicleta, cada etapa, cada viagem, será um renascer de algo que está longe de ter um fim.
Senhor, tira-me a visao das imagens do deserto quente de Atacama, do frio gélido das Terras do Norte, das florestas da Patagónia, mas ñ me tires o desejo de por lá andar a pedalar. Devolve-me os 5 sentidos para apreciar os cheiros, os sons e as cores de tudo aquilo que anseio e desejo ver.
Que seja essa a minha e a Tua vontade.

05Abr07 – CEA



Este caminho que trilhamos, é apenas um entre muitos que ainda tenho para percorrer na nminha curta existência.
Fazemo-lo de bicicleta porque é mais rápido, mais emocionante e acima de tudo, uma forma de viver a liberdade e sentir o ruído do mundo comodamente e silenciosamente.
Nem as temperaturas constantes de 0º C nos afastam das metas que colocamos para cada dia; as extremidades do nosso corpo ñ comungam da mesma temperatura interior..
Em cada vila ou cidade que cruzamos existe sempre um local onde nos sentimos bem. Ë aí que bebemos o café com leite e mais tarde, já num local mais distante, preparamos o almoco sem nunca entendermos o porquê de escolher aquele sítio.
Há 3 anos, as minhas opçoes conduziram-me exactamente aos mesmos sítios.
Coincidências!!! Ñ acredito

04 abril 2007

04Abr07- Laza


E ao sétimo dia, o Senhor descansou, neste local, duro de roer, mas lindo de morrer.
Esta é, sem margem para dúvida, o percurso mais bonito de toda a travessia.
A ascensao a Puebla já ñ fora fácil, e depois atravessar toda a Serra também se tornou complicado, mesmo para quem se levantou ás 6h da manha e tinha muitas horas de luz pela frente.

03Abr07- Puebla de Sanabria






Salamanca já era. Para trás ficaram extensas planicies manchadas de verde cuja monotonia nos fazia pedalar de forma muito constante e a um ritmo elevado até Zamora.
Ñ chegámos a tempo de assinar o tratado de Tordesilhas, porque resolvemos prolongar o almoço junto da esplanada das muitas igrejas desta cidade.
Até ali foram 60 kms (buchas em linguagem interna!!!Mama a bucha – diziamos nós) e ainda faltavam outros tantos até ao próximo albergue em Riego del Camiño.
Depois dos jantares (sempre com batata frita L) e um vinho, que nem com gasosa se bebe, lá se consegue descansar e ler aquilo que o cansaço permite.
As páginas de Brida estao a chegar ao fim. Ainda ñ comecei o “Planisferio Pessoal” do Gonçalo Cadilhe e já me sinto como ele nas suas viagens.
É óbvio que as minhas sao pequeninas e logo aquí ao lado, porque ñ tenho pais ricos!!!.
A etapa rainha é amanha. Perto de uma centena de kms e sempre acima dos 1300 mts de altitude.
Em español chama-se uma etapa rompepiernas, em Portugal, é o homem da marreta.
Tudo isto tem uma base científica por detrás, a formaçao de ácido láctico – devido á intensidade do esforço- vai inibir as contraçoes musculares, tornando os músculos mais duros e tensos.
Bem!!! Haja pernas. E travoes também. Quando experimento as bicicletas dos meus colegas, chego á conclusao que o melhor nome para os meus travoes é ABRANDADORES.
“Ñ importa ir depressa. O importante é ñ abrandar” – digo sempre.

01 abril 2007

Salamanca - 01Abr07






Ontem foi um dia em cheio. Sentimos as 4 estaçöes do ano sobre o nosso corpo.
A D.Elena, a hospitaleira de Carcaboso foi a primeira pessoa que transmitiu o espirito do Caminho. Os seus préstimois tëm sido reconhecidos ao longo destes anos, ñ só pelo ayuntamiento local como também por inúmeros peregrinos e referëncias em livros e publicaçoes.
A larga,longa e solitária etapa até Funteroble deixou, mais uma vez, todos mega satisfeitos. Säo cerca de 9h a pedalar pelo campo junto de sobreiros, vacas, cucos, raposas onde tudo se passa sem pressas, ao sabor de momentos e cenários que nos väo despertando bem cedo em cada manhä.
A cozinha é improvisada em qualquer momento e em qualquer lugar e rapidamente surge uma refeiçao de acordo com a ementa pensada para os 12 dias de viagem.
UI!!! Que frio pela manhä. Está tudo congelado. Säo 08h e ainda estäo -4. É caso para dizer “ fresco mais fresco ñ há”
Eu vi um sapio. Conta a lenda que em Salamanca quem conseguir ver a fêmea (rÄ) que existe na fachada da Universidade, consegue terminar os estudos com êxito.
Olhando para cima, e mesmo com ajuda, ñ é tarefa fácil.Está a ser uma tarde bem passada com tempo para o chocolate quente com churros para escrever postais e navegar na web. Algo que apesar de ñ ser essencial, faz parte.
Meu Deus, voltei a pecar. Desta vez, olhei - muitas- vezes para várias mulheres. Está na hora de ir a missa e pedir a remissäo dos pecados.
Voltaarei

Via de La Plata




Perdoa-me Senhor porque eu pequei. Por um dia ñ andei de bicicleta, troquei lindos caminhos e completa solidao para me entregar aos prazeres de me deitar ao ar livre, a ver as mesmas paisagens, mas a comer bolachas e a beber chá verde.
O local referenciado pelo GPS, é uma enorme mancha de água que tem como nome o embalse de alcantara. Estou muitos kms acima do mesmo Tejo que por vezes admiro das esplanadas do C.C.B.
Aqui, além de chá, há o silëncio. Ñ é preciso seguir o pensamento chinës que diz " eu bebo chá para esquecer o ruido do mundo.
Só hoje, 48h após a nossa chegada a Mérida é que me entrego aos prazeres da escrita. Como tudo na vida, ñ vale a pena contrariar a nossa vontade. O i mportante é seguir sempre aquilo que se sente.
Já tinha saudades de viajar. Viajar para blogar. Se as viagens ñ tëm pedalada, mais vale estar deitado e calado.
O que dizer de um caminho já feito anteriormente? Com estes companheiros de viagem, existe a componente humana, o companheirismo, algo que torna a "via de la Plata" muito diferente do Caminho Francês.
Experimentem porque väo gostar. Esta é a opiniäo de todos, e ainda vamos no segundo dia.
Mérida e Cáceres, ambas Património da Humanidade, dispensam apresentaçöes

15 dezembro 2006

Pai Natal na Capital - 08Dez06





Muita coisa se pode fazer de noite.
Para a maioria, andar de bicicleta, é um perfeito disparate.
Bem!!! Ir passear de carro à noite e enfrentar longas filas de trânsito até à Praça do Comércio para ver a maior árvore de Natal da Europa, também não é uma atitude de louvar.
Seja como for, cada um faz aquilo que nos torna felizes. E assim foi, largas dezenas de Pais Natais deram azo à imaginação e rolaram Lx adentro ao encontro de transeuntes extasiados e contagiados com a nossa boa disposição.
É importante relembrar que todas as iniciativas como estas que a Santa Malta de Corroios teve, são dignas de realce e merecem o apoio e carinho de todos nós.
Bem Hajam

Marvão - Valência Alcântara - 02Dez06








Andar de bicicleta, é bom todo o ano.
As excelentes condições das casas de Abrigo do Parque Natural da Serra S.Mamede são ideiais para em qualquer altura e com um grupo de amigos tirar o azimute em direcção a Rabaça, e lá permanecer em total comunhão com a natureza.
Foi este o meeting point de 4 amigos vindos de Madrid e de 2 de Lisboa para, em conjunto, dar continuidade à ligação que um dia a bicicleta uniu.
A amizade já vem de Marrocos. Desde então que jávai sendo hábito pequenos encontros à semelhança do que aconteceu o ano passado em Monsaraz.
É irrepreensível as condições naturais que a Serra oferece aos amantes dos desportos de ar livre. O mesmo não se pode dizer dos restaurantes em redor que, imagine-se, mesmo solicitando e reservando jantar às 15h, este não nos é servido (apenas fomos a 2 que nos foram recomendados como sendo muito bons!!!)
Trilhos aparte, a nota positiva vai para a boa vontade e compreensão dos habitantes locais que nos receberam como sendo família.

Cascais com Maria Bolacha - 12Nov06






Depois de um S.Martinho farto em castanhas e vinho lá para os lados da LAPA e um passar suave pela cama, nada como um belo passeio pela fresquinha junto da costa portuguesa.
Estes passeios "made at home by Maria Bolacha" pouco têm em comum com a grande estrutura e aglomerado de pessoas que se juntam aquando da divulgação por cada vez mais organizações que se dedicam a promover o BTT.
"O Projecto MARIABOLACHA deve servir para mostrar ao Mundo uma excelente relação entre Amigos e a sua utilidade para com o Mundo Exterior (Desde 01.Julho.2002)"
Recorrendo à pesquisa e compilação de diversos tracks, só no dia do passeio se valida o percurso, acabando sempre por se decobrirem novos caminhos e abrirem novos horizontes junto da nossa orla marítima.

13 outubro 2006

Sierra Nevada 06 - Ride this Way







Don´t drink and drive

Ride and Fly

A bike sempre foi um desporto. Antes era um momento. Hoje é um ritual que poucos prescindem e ao qual aderem cada vez mais pessoas cuja vontade abraçam com toda a força.

Quatro horas chegam para ascender aos quase 3500 mts de altitude do cume Veleta, mas quatro dias, não são suficientes para percorrer toda a beleza de trilhos que toda aquela região nos oferece.

Partimos de Lisboa com essa premissa em mente. Pedalar ao limite era a nossa força máxima cuja motivação crescia a cada hora de viagem.

À medida que subíamos em altitude, era notória a forte dor de cabeça e a dificuldade em respirar que se sentia em cada pedalada. Nada havia a fazer. Era tudo ou nada. O binómio homem/máquina estava ali para desafiar a força da gravidade e mostrar que não existe limite nem distância que a nossa vontade não consiga alcançar.

O andamento do nosso grupo não era homogéneo, mas quando o principal objectivo é o cumprir de um ritual, tudo o resto pouco importa.

Existe uma panóplia muito grande de trilhos ávidos de serem explorados por todos aqueles que não vivem só os desportos de Inverno.

Quando o manto branco cobre aquelas montanhas, qualquer semelhança com a realidade que hoje avisto, é pura coincidência; os castanhos das encostas e a aridez da paisagem libertam do meu subconsciente as imagens retidas do Atlas marroquino. Ali, faltava a neve.

Por tudo aquilo que se pode ver em Alhambra, Granada além de andar de bicicleta em Capileira e Pradolano conjuntamente com a óptima relação preço/qualidade do parque de campismo, fazem desta zona da Andaluzia, um lugar ideal para uma visita por parte da comunidade Bttista nacional que neste momento está a viver a onda das maratonas em detrimento dos valores que os levaram para este desporto. O convívio.

15 setembro 2006

Travessia St.Cruz-Cascais - 10Set06







86kms 6h pedalada
Existe sempre uma viagem desde que tenha ponto de partida e chegada.

Se ela começa além fronteiras ou em território nacional, isso não é importante desde que tenhamos como companhia a nossa paixão, a bicicleta.
Neste dia não éramos muitos. Todos se conheciam e havia como denominador comum, a partilha entre amigos de conhecer e desfrutar de locais bem perto da Capital.
Isto de ir várias semanas para o estrangeiro andar de bike, não está ao alcance de todos. Independentemente de gostos, capacidade financeira ou simplesmente disponibilidade familiar, é bom não esquecer que, também aqui em Portugal, existem surpreendentes paisagens de cortar a respiração.
O track original dava a direcção, o Jaime o local para almoçar, o Maria bolacha filmava e eu, tirava fotos e não me calava.
Se me permitem uma nota de rodapé, já vi muitos trilhos e cenários, mas, recorrer à máquina fotográfica com tanta assiduidade, há muito que não tinha recordação.
Rolámos em areia, terra, estrada, ciclovias; andámos com ela às costas, de comboio, de metro, e para trás deixámos belas praias e sorrisos de satisfação e alegria. Tudo isto sempre com o mesmo desejo, o de continuar a poder fazer travessias como esta.

02 setembro 2006

E tudo começou com um simples aperto









Coruche - 90 kms
Em véspera de mais um reconhecimento para uma futura travessia de vários dias, a verificação técnica da Canondale Prophet resulta num parafuso partido.
Sem stress, a bike híbrida de roda 28 devia aguentar. – Pensou o Paulo
Já em Coruche com o 3º elemento desta aventura, rolámos sem medos pela lezíria ribatejana.
Alguns kms volvidos, diz o Gil, cuidado que nesta zona fura-se muito. Dito e feito. As plantas chamadas “abre-olhos” encarregaram-se de aniquilar a única bicicleta estranha, nunca antes vista por aquelas paragens.
Se não queres furar, líquido verde tens de usar – disse eu ao Paulo.
Ambos os pneus pareciam um ouriço caixeiro; como só havia uma câmara, tivemos que remendar. A cada remendo, um furo novo. Foram 6 no total.
Com 40 º sob as nossas cabeças surge a ideia. Porque não colocar uma câmara 26?
Estica daqui e estica dali e no final aqui ficou mais uma história para contar.